Impulso nervoso.
A cabeça lateja, a vista cega enxerga em excesso.
Um fino zumbido ensurdece as palavras alheias, o cérebro registra sensações que não foram sentidas, a logica vira do avesso, estou agora no comando da situação, e voce, menor que eu por seus crimes vis me pisa como um inseto. Tudo se encaixa, como a agua se mistura ao oleo, no seu brilho impermeavel, afoga a razão. A respiração aumenta, a garganta rasga pelo grito calado. Um barulho oco, como murros repetidos na boca do estomago, uma extrema necessidade de possuir e ser possuido. O outro, objeto de ira, de dor, de magoa, reflexo da sua carencia, sombra da sua insegurança. Você se sente implodir, cada musculo seu sente a pressão.
10,
9,
8,
7
você segura a cabeça em desespero, escuta o ‘tic tac’ do seu controle.
Sente cada nervo, como um raio percorrendo seu corpo.
Corpo celular, axônio. Corpo celular, axônio.
Agora, se tornou fisiológico. Sabe que em alguns instantes tudo vai ser sugado , a realidade vai se tornar inexistente, paralela. Tenta se controlar, tentar nao se concentrar nesses feixes nervosos. Começa a doer, todo corpo se contrai em um desespero por controle.
controle.
controle.
o ritmo das batidas intensificam, a dor agora, mais fina, grita, tudo gira.
6,
5,
4,
3
procura onde se esconder, onde encontrar conforto. O que era vazio agora se enche de um fluido gelatinoso, umido, turvo logo acima do estômago. O gosto amargo na boca denuncia a impossibilidade de fugir de si mesmo.
2,
1.
1.
Sinapse.
agora é impossível controlar, seus músculos ganham peso de mil toneladas, força de guindaste e ultrapassa a trava interna.
Tudo em volta silencia. Tudo para, tudo se cala.
A consciência adormece.
Tudo passa em câmera lenta, um grito sai da boca, intenso, você sente seus músculos faciais contraindo, seu maxilar abrindo, suas cordas vocais vibrando. Mas o silencio domina, da sua garganta o grito sai rasgando tudo, mas você não é capaz de escuta-lo. Suas mãos se movem, você sente cada veia, cada articulação, cada músculo.
Sinapse.
Reflexo.
Explosão.
Você vê nitidamente os murros repetidos direcionado a parede, mas nao escuta o barulho dos seus ossos em atrito com a parede, nem sente a dor latejante da pele esfacelada. Todo momento dura 10 segundos. Uma eternidade. Então td acaba.
Você respira forte e rápido, a falta de ar te domina. Aos poucos as cores em volta reaparecem, você agora escuta a pesada pulsação, e sente a forte dor latejante. Todos seus músculos relaxam, se sente violentada. consegue perceber que foram suas maos que agrediram a parede, + sente como se todo seu corpo tivesse sido jogado em intensas convulsões contra parede. Um forte estalo em sua mente a tira da inercia, e vc chora. Compulsivamente. Pelo descontrole, pela crise, pela fraqueza, pela carência e pela dor. Se sente uma marionete, comandada pelos seus impulsos nervosas, seus desejos, e suas necessidades nao realizadas. Chora de medo do medo, da confusao mental causada por esses momentos em que percebemos que somos apenas humanos, mesquinhos e hipócritas. E a culpa a invade com a potência de uma arma nuclear, destruindo todo pouco que sobrou.