Posts de março \29\UTC 2010

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Divagações de uma mente alheia

março 29, 2010

No meu pranto há um espectro passivo ao olho doente, nas entre-linhas de minhas lagrimas.
O que esconde meu corpo de mim que desconheço?
O que sou alem do que já entendo por ser meu, escorregando por minha pele?
Uma casca, estruturada por ossos e músculos latejando em minhas veias, mas latejando o que?
Sou eu deslocando a realidade em torno de um vil esquecimento ou realmente padeço a não saber o que me abala e a esperar a revelação de um segredo maior?
Como posso eu passear por esses caminhos desconhecendo minha condição febril, anestesiada, alheia ao outro eu escondido em sensações táteis desprevenidas.
Enojo meu estomago para personificar uma dor que não se mostra, mas será que ela realmente existe?
Que eu escondo afinal? Como posso decidir o destino do meu futuro se ainda sou e possuo esse mistério indecifrado com sensações térmicas e sensoriais?

E finalmente, sou, ou ainda serei?

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Manha insólita

março 29, 2010

Acendo um cigarro. A fumaça azul transborda pela chama laranja, enche meus pulmões com o primeiro trago. Fecho os olhos, permito que uma dormência débil tome conta de cada veia de meu corpo. Olho em volta, o sol apenas começou a aparecer, eu ainda estou de pé diante dessa janela semi-aberta. Encosto o cigarro levemente amassado no cinzeiro, busco no escuro o relógio. A hora pisca gritante.
Melancólica solidão. Meu primeiro cigarro do dia amaciando meu lamento.
Deito.
Não vou levantar hoje.

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março 12, 2010

sinto uma catacrese no termo em que me expresso para dignificar esse sentimento sinestésico
pelo seu eu simbiotico a si mesmo que venero e multiplico intensificado.
é uma catacrese aguda, porque o verbo amar falha e fica torto na esquina do teu sorriso,
se reparte e se dissipa, insuficiente,
escorregando pelas curvas do teu corpo. minha voz desesperada tenta transcrever
o que na alma ecoa devorando todas as palavras do meu vocabulario,
todas as logicas naturais e bidimensionais da estrutura.
Palavra nenhuma me basta, e incompleta difamo o portugues em suas
vertentes, que se omite de transceder seu olhar e traduzir minha angustia
em expressar como soa o tom da sua voz em meu ouvido.
Então recorro ao que considero uma metafora de uso comum e desengonçada
tropeço na propria emoção do sentimento falado.
eu te amo. o grito do “eu” quase ensurdece minha alma,
quando caio no vacuo constante do “te”
para repousar o inominavel no amor, que aceito ser suficiente,
mas nao passa do que é: uma catacrase bem intencionada
que consiste na utilização de uma palavra ou expressão que não descreve com exatidão
o que se quer expressar, mas é adotada por não haver palavra apropriada.

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março 6, 2010

os fragmentos do silencio, retalhados
espalhados por todos os lados,
reverso

sou do avesso a retalia
sou o sucumbir da alma
o diluir,

a faca contra carne do verbo
se faz serva da palavra que comunica
sou sentir sem medir
o dilúvio do regresso da fadiga

engasga em mim , o grito e o mito
sou de ferir,
jogo, livre voou, até o limiar
de meus trepidos passos largos a sucumbir

a lacuna entre o sim e o não
que desdobra suas arestas em trêmulos horrores
resume em mim, medo
fraca cedo
entregue ao desejo.

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Turbulência

março 3, 2010

Era um desacreditar constante, uma turbulência dentro de meu bolso.
Vibrava freneticamente a cada 10 segundos.
Era angular, tinha pontas revestidas de veludos coloridos e brilhantes, uma verdadeira agonia de cores. Vivia pendurado no meu dedo indicador direito, de onde saia um fio de nailon fino até o bolso. Fazia uma cocega tremenda na coxa, na lateral assim, como um arrepio quadrado, crespo e gelado tentando mover pedacos de pele pro lado, e mais parecia algum tipo de surto pisicotico.

E vibrava.
freneticamente.
a cada 10 segundos.

No comeco eu esquecia. Sempre me surpreeendia. Contorcia todo meu corpo a cada vibracão com um ecstasy duplo de surpresa e exitação. Faltava-me o ar, o peito oprimido me reprimia em um grito surdo, engasgado e roxo na minha traqueia. Um suspiro desesperado invadia meu corpo, o ar penetrando minhas veias violentamente, com um barulho forte estalado dos meus pulmoes se ropendo.
É sugar da vida a retalia.
Mas com o tempo, fui me acostumando. Seus 10 segundos de intervalos foram ficando cada vez mais longo. agora eu desejava o susto, eu desejava o ecstasy do inesperado, do desconhecido. Minha angustia foi me consumindo em segundos sem fim, interminaveis. Na falta dos labirintos imposto pelo tato desavisado, minha alma sucumbia a angustia da distancia do seu objeto de desejo. Minha mente agora absorta em pensamentos inertes, arquitetava uma maneira de adiantar as vibrações que demoravam eternidades para chegar em uma nova perspectiva. Inutilmente, o objeto angular que repousava no meu bolso se esquivava de mim toda as vezes na qual tentei me aproximar dele.
Fui cansando.
Minha sensibilidade viciada agora sentia as vibracoes a todo instante, independendo do objeto irregular. Era o eco do meu desejo platonico, a pertubação da minha mente desiludida, cansada de esperar. Me deixava levar pela falta de percepção entre o real, e o cuidadosamente criado.
Ja nao esperava.
Possuia uma certeza dona de si, que enviava as minhas conexoes nervosas a exata mensagem, iludida e repartida, porem exata.
Porque sabia exatamente qual era essa mensagem, e repetia com uma destreza fascinantemente entediante:
Um objeto angular desconhecido vibra. Freneticmente. A cada constante.

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