
Era um desacreditar constante, uma turbulência dentro de meu bolso.
Vibrava freneticamente a cada 10 segundos.
Era angular, tinha pontas revestidas de veludos coloridos e brilhantes, uma verdadeira agonia de cores. Vivia pendurado no meu dedo indicador direito, de onde saia um fio de nailon fino até o bolso. Fazia uma cocega tremenda na coxa, na lateral assim, como um arrepio quadrado, crespo e gelado tentando mover pedacos de pele pro lado, e mais parecia algum tipo de surto pisicotico.
E vibrava.
freneticamente.
a cada 10 segundos.
No comeco eu esquecia. Sempre me surpreeendia. Contorcia todo meu corpo a cada vibracão com um ecstasy duplo de surpresa e exitação. Faltava-me o ar, o peito oprimido me reprimia em um grito surdo, engasgado e roxo na minha traqueia. Um suspiro desesperado invadia meu corpo, o ar penetrando minhas veias violentamente, com um barulho forte estalado dos meus pulmoes se ropendo.
É sugar da vida a retalia.
Mas com o tempo, fui me acostumando. Seus 10 segundos de intervalos foram ficando cada vez mais longo. agora eu desejava o susto, eu desejava o ecstasy do inesperado, do desconhecido. Minha angustia foi me consumindo em segundos sem fim, interminaveis. Na falta dos labirintos imposto pelo tato desavisado, minha alma sucumbia a angustia da distancia do seu objeto de desejo. Minha mente agora absorta em pensamentos inertes, arquitetava uma maneira de adiantar as vibrações que demoravam eternidades para chegar em uma nova perspectiva. Inutilmente, o objeto angular que repousava no meu bolso se esquivava de mim toda as vezes na qual tentei me aproximar dele.
Fui cansando.
Minha sensibilidade viciada agora sentia as vibracoes a todo instante, independendo do objeto irregular. Era o eco do meu desejo platonico, a pertubação da minha mente desiludida, cansada de esperar. Me deixava levar pela falta de percepção entre o real, e o cuidadosamente criado.
Ja nao esperava.
Possuia uma certeza dona de si, que enviava as minhas conexoes nervosas a exata mensagem, iludida e repartida, porem exata.
Porque sabia exatamente qual era essa mensagem, e repetia com uma destreza fascinantemente entediante:
Um objeto angular desconhecido vibra. Freneticmente. A cada constante.