h1

março 9, 2011

Colorido, profano, indecifrável. Solidão ao som de frevo.
Confete e serpentina colada na sandália quebrada que samba em cima da confusão.
Paz fritada. Paixão vinda do submundo da subversão.

No carnaval tudo é em excesso. Incluindo este desejo passeando latejante em lantejoula.
Tudo vibra. As sensações são pulsantes e desreguladas. Meu peito desenfreado dispara em batidas repetidas, encharcada de adrenalina barata.

Com tanta luz e tanta cor, fico a flor da pele. Com tanta musica, é como dançar no silencio.
No vazio.
Resisto a cada piscada profana desse batuque inebriante, mas é inevitável. As orgias musicais levam meu pé em fuga.
Para esquecer. Para simplesmente sublimar.
Porque um desejo desafiado precisa de auto-afirmação.

Tudo é ligeiramente mais visceral esta época. Minha pulsação faz compassos em busca de plenitude. Move meu corpo em embriagues profunda, profana.
Ah sensação incoerente… domina e alucina, arrebata minha determinação, me carrega pela avenida insana.
Me atravessa.

Ainda assim cansa. Falta intenção, intensidade e verdade nas esquinas embaçadas.
Tontura e tortura na cidade saturada de texturas variadas. Que arrebatamento conveniente afinal.
Entendi agora qual a droga desse carnaval.

Um comentário

  1. essa droga é forma, meu amor!



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